"Talvez a grande coisa que a arte pode proporcionar hoje ao mundo é o luxo de desacelerar o tempo. Imagens já não tem mais a mesma força, palavras não são absorvidas e num mundo onde tempo é dinheiro e velocidade é poder, não existe luxo maior do que o poder de desacelerar. As melhores coisas da vida, arte, sexo e comida requerem todas o mesmo ingrediente essencial em comum: tempo. Enquanto isso, todos os fabricantes de tudo desde carros, aviões e serviços sempre enfatizam as características de velocidade, aceleração e potencia. Contudo, a mais alta delicadeza de nosso mundo é a capacidade de frear, de desacelerar e contemplar. Menos pode ser muito mais.
Cai Guo Qiang, expoente artista contemporâneo chinês, fez uma obra memorável em Shanghai durante a expo 2010. Era um disco voador sobrevoando a cidade a noite e no prédio abaixo dele dizia em chinês: “Nunca Aprendeu a Pousar”, ou seja estava condenada a passar a existência girando incessantemente sem o direito de chegar, parar, pousar. O luxo maior de ver o tempo passar sem ser escravo dele.
Minha sábia professora de Yoga, muito me ensinou sobre o tempo. Meu trabalho me leva a viver a mais de 60 km/h em média todas as horas do meu dia, inclusive nas que estou dormindo. Diante desse fato cada dia mais absurdo da vida ela com seu jeito doce e singelo me perguntou: “Por que você faz isso consigo mesmo? Você tem freio e ele se chama livre arbítrio”. O freio é nosso acho que desaprendemos como usá-lo.
Talvez boa parte do crise que estamos vivendo no mundo hoje seja o conflito de visões de como usar o freio. De um lado o tempo europeu, preso ao desejo humanista de valorizar o tempo pessoal de uma sociedade que sonha em continuar trabalhando para viver e consequentemente desacelerar. E de outro lado o tempo chinês que vê a vida como um combustível para o trabalho e a aceleração como destino. O que estamos vivendo é uma crise entre o freio e o acelerador. Duas visões conflitantes de mundo para o mesmo pé.
Pense num vôo de avião, o grande mérito de um piloto não é o quanto rápido ele voa, mas sim o quanto suave ele consegue pousar e frear. Por isso é aplaudido. Essa elegância do freio e da suspensão sobre o motor e a velocidade são valores que passaram a ser revistos num mundo onde a velocidade anestesia e o frear surpreende e alivia. Entre a Anestesia ou o Alivio, o que voce prefere?"
Cai Guo Qiang, expoente artista contemporâneo chinês, fez uma obra memorável em Shanghai durante a expo 2010. Era um disco voador sobrevoando a cidade a noite e no prédio abaixo dele dizia em chinês: “Nunca Aprendeu a Pousar”, ou seja estava condenada a passar a existência girando incessantemente sem o direito de chegar, parar, pousar. O luxo maior de ver o tempo passar sem ser escravo dele.
Minha sábia professora de Yoga, muito me ensinou sobre o tempo. Meu trabalho me leva a viver a mais de 60 km/h em média todas as horas do meu dia, inclusive nas que estou dormindo. Diante desse fato cada dia mais absurdo da vida ela com seu jeito doce e singelo me perguntou: “Por que você faz isso consigo mesmo? Você tem freio e ele se chama livre arbítrio”. O freio é nosso acho que desaprendemos como usá-lo.
Talvez boa parte do crise que estamos vivendo no mundo hoje seja o conflito de visões de como usar o freio. De um lado o tempo europeu, preso ao desejo humanista de valorizar o tempo pessoal de uma sociedade que sonha em continuar trabalhando para viver e consequentemente desacelerar. E de outro lado o tempo chinês que vê a vida como um combustível para o trabalho e a aceleração como destino. O que estamos vivendo é uma crise entre o freio e o acelerador. Duas visões conflitantes de mundo para o mesmo pé.
Pense num vôo de avião, o grande mérito de um piloto não é o quanto rápido ele voa, mas sim o quanto suave ele consegue pousar e frear. Por isso é aplaudido. Essa elegância do freio e da suspensão sobre o motor e a velocidade são valores que passaram a ser revistos num mundo onde a velocidade anestesia e o frear surpreende e alivia. Entre a Anestesia ou o Alivio, o que voce prefere?"
Marcello Dantas, é curador de artes, faz museus, exposições, cozinha e adora carros com bons freios; Para a Revista da Audi.
Imagem: Aventuras em Movimento


