sexta-feira, 19 de julho de 2013

A arte de ser você

Foto: Renata Mendes
Recentemente fui chamada para dar uma aula introdutória de Ayurveda em um curso de formação que me fez refletir sobre as infinitas possibilidades de autoconhecimento. A ideia era falar sobre o Ayurveda e como relacionar essa ciência com Yoga. Essas duas ciências sao complementares, auxiliam no entendimento do funcionamento do Universo e isso inclui você.
"Quem é voce?" - É uma das perguntas mais difíceis mas podemos dizer que é a única que vale a pena ser respondida. 
Quando sabemos quem somos temos saúde e vivemos em harmonia com o corpo, mente e meio em que nos relacionamos. O problema começa a surgir quando achamos ou fingimos que somos o que nao somos. Dai, todo processo de confusão aparece e com isso, começamos a fazer um monte de coisas que nao nos faz bem. 
Temos um corpo que nos foi dado. Esse corpo faz parte da mesma inteligência que faz o universo inteiro funcionar. Ao nos afastarmos do que é natural ou do que somos, o corpo e a mente começam a reclamar, dar sinais de que algo esta errado. E normalmente, ignoramos! Se nao estou com fome mas como porque ja esta na hora de comer, forço meu corpo a fazer uma coisa sem que ele em condições apropriadas. Com isso, gero toxina no meu organismo e repetindo isso constantemente, crio um hábito nao saudável, que me traz desconforto (azia, refluxo, indigestão ..). Para acabar com esse mal estar, tomo remédios paliativos ao invés de mudar o hábito ou a causa de tudo isso.
Quanto mais fazemos isso, mais enraizado fica esse hábito dentro de nós fazendo com que percamos o referencial do que é o nosso natural. Sentir dor de cabeça, nas costas, deprimido, sem fome, insônia, fraqueza nao é natural para nenhuma pessoa. Isso é sinal de que algo esta errado e a única forma do seu corpo te dizer isso é através desses sintomas. 
Por isso, o Yoga e o Ayurveda sao ferramentas super importantes para o autoconhecimento. Elas nos ajudam a entender quem somos, como funcionamos e o que podemos fazer para nos tornar seres humanos (que sao cheios de limitação em todos os níveis) mais em sintonia com o que nos relacionamos. Todas as respostas para os nossos desconfortos e sofrimento sao respondidas quando voltamos a atenção para a gente, aceitando que limitações é somente relacionado ao corpo e mente e nao a nossa natureza.
Temos escolhas de nossas ações e somos responsáveis por todas elas, desde a forma como nos alimentamos, agimos até como pensamos. Se tiver algo a ser mudado, mude! Primeiro precisa entender a necessidade de mudança. Depois precisa de muita vontade e coragem...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Consciência



Centrado em meus movimentos
derreto a dureza dos meus pensamentos.
Como o sol, degelando a neve
de um longo inverno.
Sinto-me como um ser
na aurora do seu despertar.

Respiro, retenho, observo...
Coloco a intenção
de levar o luminoso oxigênio
aos lugares mais recônditos do meu corpo,
qual caravelas por mares desconhecidos.
Sinto que o meu corpo se incendeia e se purifica.

Respiro conscientemente.
Deparo com a minha desconcentração,
com a minha dispersão,
com a minha mente tagarelando
coisas do passado ou do futuro.
Mergulho em minha sombra.

Vejo-me tal qual um pisca-pisca,
alternando momentos de clareza
- a lucidez do instante presente,
com momentos de obscuridade
 - o mergulho na inconsciência.

Respiro, retenho e me estiro.
Tomo consciência da dor,
das limitações.
Do quanto a história desta vida
e a de tantas outras
deixaram suas marcas no meu corpo.
Nódulos,
encurtamentos,
desvios,
desequilíbrios.

Claudicante,
sigo, mesmo assim,
para aprender fluir
por entre as barreiras,
no sentimento de estar pleno, de estar vivo, 
afinando-me à sintonia cósmica.

Respiro,
retenho,
sinto toda a verdade ao meu respeito
e a aceito.
Relaxo,
aceito-me,
confiando no silencioso plano de amor
daquele que É.

Contemplo o mundo,
vejo a multidão de semideuses.
Seres em busca de Ser.
Está tudo certo,
tudo está fluindo no tempo divino
como o rio,
inexoravelmente atraído para o mar.
Está tudo certo,
basta que eu me renda, 
me entregue
e confie.


 Machado, Júlio Cesar IN: “Amor e Mudança” – Ed. Fênix – B.H./M.G.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Meditação modifica seu cerebro


"Você sabia que a prática regular da meditação aumenta a espessura do seu cérebro?

A Dra. Sara Lazar, professora e pesquisadora em neurociências da Universidade de Harvard, EUA, começou sua palestra na Palas Athena em São Paulo ontem à noite dizendo que algumas pessoas, quando ouvem a palavra “meditação”, pensam naquelas figuras sentadas nos anos 1960, usando aquelas vestes brancas esvoaçantes, ao som de cítaras e com o odor de incenso pairando no ar.

Isso já era. Agora a prática da meditação é o assunto da hora no campo das pesquisas neurológicas, e a Dra. Lazar publicou um notável estudo provando que, devido ao fenômeno da plasticidade cerebral, a prática regular e sistemática da meditação de fato muda a estrutura do cérebro. Ela aumenta a quantidade de substância cinzenta nos neurônios na ínsula (1), área responsável pela integração dos pensamentos, sentidos e emoções: e as pessoas com mais atividade na ínsula ficam menos sujeitas a depressão. A meditação também aumenta tanto o córtex pré-frontal (2) como a região do cingulado posterior, que são as áreas responsáveis pela empatia, compaixão e autocontrole.

Se você quiser esculpir seu cérebro para melhorar seu desempenho mental e a sua vida de um modo geral, crie o hábito diário de fechar os olhos e mergulhar dentro de si. "

Susan Andrews - Instituto Visão Futuro

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Consciência em todos os animais

Recebi de uma grande amiga esse artigo e achei muito interessante pois muitas vezes precisamos de comprovação cientifica para afirmar o que o nosso bom senso diz.

"Não é mais possível dizer que não sabíamos", diz Philip Low
Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas.

Veja.com - Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? 
P. L. - Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.

Veja.com - Qual é a ambição do manifesto? 
P. L. - Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.

Veja.com - As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? 
P. L. - Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.

Veja.com - O que pode mudar com o impacto dessa descoberta?
P. L. - Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Quanto custa uma aula de Yoga?

Esse texto me chamou muita atençao pois coloca de uma forma bem clara sobre a questão de valores do Yoga. Valores monetários e valores éticos. Foi escrito por Jonas Masetti.

"Apesar de termos noção da faixa de valores que se paga por uma aula, o que a tradição védica diz sobre isso às vezes passa despercebido. Seja como professor ou aluno o quanto custa uma aula de yoga é sempre um assunto amplamente discutido. Alguns dizem que é muito barato pelo resultado proposto, outros dizem que o yoga e o conhecimento espiritual de uma forma geral, deveriam ser de graça. Existem alunos que só valorizam quando o preço é alto e professores que cobram baixo e acreditam que essa é a sina do professor de yoga. E por fim alguns professores que conseguem realmente viver da aula de yoga e alunos que pagam as aulas com prazer. Qual a verdade de tudo isso? Yoga deveria ser de graça?

No ocidente existe essa idéia de que o conhecimento espiritual deveria ser gratuito. Talvez ela tenha surgido por influência da Igreja que por defender o “direito do homem aos céus” e propor seu trabalho de “salvação” pela causa do próximo, tenha construído na nossa mente uma espécie de dissociação entre o dinheiro e os “céus” que representam para muitos o conceito de espiritualidade. O dinheiro ainda é chamado de “demônio ou tentação”, e os monges fazem voto de pobreza, apesar de viverem em uma das instituições mais ricas na história da humanidade. Não temos nada a ganhar em criticar a história ou a Igreja e com certeza existem pessoas sinceras e vários tipos de administração para essa instituição. Seria injusto condenar, porém não podemos negar que esses conceitos são muito bem enraizados na nossa cultura ocidental e nesse reconhecimento reganhamos consciência sobre esse assunto e podemos mudar.
Se não bastasse essa influência religiosa, existe ainda a influência da mentalidade capitalista. O capitalismo produz em geral dois efeitos: a supervalorização do dinheiro, tornando-o tão forte que vira uma espécie de tesouro fazendo a vida girar em torno dele; e uma paranóia coletiva, onde pensamos que todo mundo a todo o momento só quer pegar o que é nosso ou até mesmo nos enganar.
Nos dias de hoje, realmente, o dinheiro é um assunto importante para quem deseja o autoconhecimento, pois ele tem um papel importante na nossa mente e naturalmente na nossa vida. O uso inapropriado do dinheiro é um distúrbio, pois é um uso inapropriado de si mesmo. O dinheiro representa o “nosso suor”, os dias trabalhados, o esforço… E ele é tão forte e sutil que em folha de papel podemos fazer um cheque que representa todo o valor produzido por nós em uma vida inteira. Assim, para um yogi uma boa relação com o dinheiro é fundamental para ter uma mente equilibrada. E a boa relação com o dinheiro é que o fluxo de dinheiro “flua” proporcionalmente para aquilo que a pessoa valoriza.
Somos capazes de gastar 200 reais em um uma bolsa ou restaurante, mas consideramos o mesmo valor caro para uma aula de yoga. Gastamos 10.000 reais para visitar índia e não somos capazes de dar 10 rupias para um mendigo na porta do templo. E ainda queremos fazer grandes negócios até mesmo com nossos supostos amigos e parentes onde “você me dá tudo e eu não te dou nada”, queremos consultas de graça, serviços e soluções para nossas vidas. Uma “cara de pau” sustentada pela fantasia de que estamos ainda fazendo um grande favor ou que pagaremos depois de outras formas. Temos a impressão que estamos economizando no bolso, mas estamos economizando no coração e nos tornando cada vez mais alienados do mundo, separados por essa barreira do “demônio”, o dinheiro."

Para ler esse texto completo entre no site Yoga Vedanta Vedas | SatsangaOnline.