terça-feira, 29 de maio de 2012

O Luxo do Freio




"Talvez a grande coisa que a arte pode proporcionar hoje ao mundo é o luxo de desacelerar o tempo. Imagens já não tem mais a mesma força, palavras não são absorvidas e num mundo onde tempo é dinheiro e velocidade é poder, não existe luxo maior do que o poder de desacelerar.  As melhores coisas da vida, arte, sexo e comida requerem todas o mesmo ingrediente essencial em comum: tempo. Enquanto isso, todos os fabricantes de tudo desde carros, aviões  e serviços sempre enfatizam as características de velocidade, aceleração e potencia. Contudo, a mais alta delicadeza de nosso mundo é a capacidade de frear, de desacelerar e contemplar. Menos pode ser muito mais.
Cai Guo Qiang, expoente artista contemporâneo chinês, fez uma obra memorável em Shanghai durante a expo 2010. Era um disco voador sobrevoando a cidade a noite e no prédio abaixo dele dizia em chinês: “Nunca Aprendeu a Pousar”, ou seja estava condenada a passar a existência girando incessantemente sem o direito de chegar, parar, pousar. O luxo maior de ver o tempo passar sem ser escravo dele. 
Minha sábia professora de Yoga, muito me ensinou sobre o tempo. Meu trabalho me leva a viver a mais de 60 km/h em média todas as horas do meu dia, inclusive nas que estou dormindo. Diante desse fato cada dia mais absurdo da vida ela com seu jeito doce e singelo me perguntou: “Por que você faz isso consigo mesmo? Você tem freio e ele se chama livre arbítrio”.  O freio é nosso acho que desaprendemos como usá-lo.
Talvez boa parte do crise que estamos vivendo no mundo hoje seja o conflito de visões de como usar o freio. De um lado o tempo europeu, preso ao desejo humanista de valorizar o tempo pessoal de uma sociedade que sonha em continuar trabalhando para viver e consequentemente desacelerar. E de outro lado o tempo chinês que vê a vida como um combustível para o trabalho e a aceleração como destino.  O que estamos vivendo é uma crise entre o freio e o acelerador. Duas visões conflitantes de mundo para o mesmo pé.
Pense num vôo de avião, o grande mérito de um piloto não é o quanto rápido ele voa, mas sim o quanto suave ele consegue pousar e frear. Por isso é aplaudido.  Essa elegância do freio e da suspensão sobre o motor e a velocidade são valores que passaram a ser revistos num mundo onde a velocidade anestesia e o frear surpreende e alivia. Entre a Anestesia ou o Alivio, o que voce prefere?"
Marcello Dantas, é curador de artes, faz museus, exposições, cozinha e adora carros com bons freios; Para a Revista da Audi.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

No fio da navalha

"Os sábios dizem que o caminho da sabedoria é difícil e estreito, da largura do fio de uma navalha." Upanishads




Esse fim de semana tive uma experiência muito legal e me fez parar para pensar no caminho do Yoga. Fui ao Parque do Ibirapuera fazer Slackline, aquela fita que amarra do meio de duas arvores e tenta andar de um lado para o outro. A fita era um pouco mais larga do que meus dois dedos juntos e pensei ja no começo, "impossível ficar em pé nisso!!". 
Subi com apoio para ver como era e realmente era difícil ficar la encima sozinho, sem ajuda de ninguém. Observei meu amigo que ja tinha feito varias vezes como ele se movimentava, para onde ele olhava, como o corpo ficava... Tentei algumas varias vezes e sempre caia, algumas vezes até ficava um pouco mas quando me dava conta que tinha conseguido, caia. Tive que focar em um ponto, tentar pensar em apenas aquele ponto e ter consciência do meu corpo inteiro para dar um passo de cada vez.  Foi assim que consegui começar a andar sozinha. Depois que se consegue, começa a ganhar confiança, fazer até um pouco de graça, fazendo coisas mais difíceis. E todo o processo é subir, focar, andar, cair ou descer. 
Após algumas horas, percebe que seu corpo inteiro fazia o processo com você e nao so a mente. E toda a sensação boa daquelas horas te acompanha pelo resto do dia, com vontade de repetir mesmo sabendo que nao é nada facil.
No Yoga funciona mais ou menos da mesma forma. Nunca sabemos se temos o potencial de sermos felizes até tentarmos entender isso e praticar isso. No começo, precisamos do apoio e ajuda de pessoas que confiamos e tenha conhecimento sobre o assunto. Observamos como ela se comporta, se o que ela fala é coerente com o que ela vive e faz. Depois tentamos praticar sozinhos, mesmo que tenhamos que cair varias vezes ate adquirir musculatura ou amadurecimento para conseguirmos nos sustentar encima dessa "fita" estreita. Com muito treino, so com muito treino, ficamos cada vez mais firmes em nòs mesmos, as vezes até nos desafiando tentando ir um pouco alem e se passamos do ponto, caímos. 
Por isso, se quisermos viver uma vida de Yoga temos que entender que nao adianta "praticar" Yoga (posturas físicas) 2 ou 3 vezes por semana, fazer um monte de cursos para descobrir o seu "mestre interior" ou técnicas para ser bem sucedido na vida. Tem que praticar todos os dias, em todas as ações, ajudando e tratando bem as pessoas ao seu redor. Sempre tera um certo esforço, atenção para se manter no fio da navalha, para nao se identificar com o que nao fomos e nos lembrarmos o tempo todo que ja somos felizes mesmo com alguns momentos de desconforto. Os momentos de desconforto, difíceis, nao mudam o que sou... somente me preparam, me amadurecem para deixar de lado os conceitos das coisas que acho que sou.
Quando entendo isso, sou livre! 


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Satsanga

Essa semana o site Satsanga, do Jonas, comemorou 1 ano. O propósito desse site é super bacana, tem textos escritos de forma clara, explicando a tradição do Vedanta e colocando algumas questões que aparece durante o caminho da busca do autoconhecimento. Inclusive, ja coloque texto do Jonas aqui no blog.
Segue esse video com a entrevista do Swami Paramarthananda falando sobre Satsanga. Vale a pena ver!

http://vimeo.com/42189087

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Reflexão sobre a meditação


Meditação tem como função ampliar nossa visão de vida, para percebermos que estamos no oceano da vida e nao ilhados. O meu corpo faz ondas. E também recebo ondas dos outros (impacto e sou impactado). Quando nos identificamos somente com a onda, nos limitamos. 
Sair desse confinamento que eu mesmo me limito para compreender que estou no oceano da vida. É preciso ter espaço para essa compreensão. É preciso ter uma ancora na pratica e na vida para nao ser levado pelos estímulos de todas as variedades.
Por isso, temos que entender que nao termino aqui, permeio em tudo e tudo permeia em mim.

Foto: Rio de Janeiro por Renata Mendes.