sexta-feira, 30 de abril de 2010
Newsletter do Dayananda
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Elementos e suas expressões

Experiências
domingo, 25 de abril de 2010
Frase do dia
Frase do dia
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Curso sobre Ayurveda em cuidados à mulher!

quinta-feira, 22 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Tempo é (muito mais que) dinheiro

Acostumamos a perguntar aos outros “oi, tudo bem?”, mais por conveniência do que realmente por interesse. Mas se nos atentarmos às repostas que obtemos com esta pergunta notaremos que a frase mais comum de se escutar é: “ na correria”, “cheio de coisa”, “na luta”. Essas frases têm um pano de fundo em comum. Por mais que a resposta indique que a pessoa está bem, indica também que ela está sem tempo, que está fazendo muita coisa, que está correndo atrás de coisas, resolvendo problemas.
Parece que estamos sempre em débito em relação a quantidade de tempo que temos disponível. Por mais que a nossa conta bancária esteja positiva, em troca, a nossa conta de tempo parece ser sempre negativa. De segunda a sexta-feira, são os dias úteis. Sábado e domingo, que deveriam ser dedicados a contemplação, ao lazer, mas cada vez menos o são, são dias inúteis? O lazer, a contemplação, o tempo com a família são inúteis? Quem colocou isso na nossa cabeça?
Hoje em dia somos educados e estimulados a sermos bons profissionais, a ganharmos dinheiro, a consumirmos, a pouparmos, a garantirmos uma segurança material, a competirmos. Porém, não somos ensinados a usar o nosso tempo para sermos bons pais, bons filhos, bons cidadãos. Todos nós já temos internamente um sentimento de inadequação e de insegurança e a tendência de nos compararmos com outras pessoas. Quando crianças, somos totalmente dependentes dos outros. Olhamos para nós mesmos e nos sentimos incapazes, pois nos comparamos com os adultos. Então olhamos para os nossos pais e depositamos a nossa confiança neles, na nossa cabeça eles são infalíveis. E à medida que o tempo passa, vemos que os nossos pais são falíveis e limitados, como nós. E com isso, perdemos a capacidade de confiar nas pessoas e até em nós mesmos.
Então depositamos a nossa confiança em super heróis, em astros de rock ou em um deus sentado em algum lugar, enquanto esse sentimento de inadequação e de insegurança nos acompanha quando adultos. Esses fatores psicológicos, individuais, aliados ao estímulo a competição e a nossa exposição constante ao paradoxo: consumo x poupança, impulsiona-nos a dedicar os nossos esforços quase que automáticos em trabalhos, com o objetivo de adquirir coisas e de mantê-las. Nós somos bombardeados por propagandas que nos estimulam a comprar, comprar, comprar para sermos felizes e, por outro lado, outras que dizem que devemos poupar, poupar, poupar para termos segurança futura.
Vivemos em meio a conflito de auto-imagem, ansiedades e medos que nos fazem correr, correr, correr. E nesse correr, nessa falta de tempo, não conseguimos apreciar a nossa família, os filhos, pais, irmãos. Temos cada vez mais dificuldade em apreciar a infância dos filhos, a velhice dos pais, o companheirismo dos irmãos, a companhia dos amigos. A nossa ansiedade com o futuro, insegurança financeira, medo de perder o que se adquiriu e o desejo de adquirir mais, faz com que apliquemos o nosso tempo de maneira muito pouco econômica e equivocada. E essa falta de discernimento nos separa de coisas extremamente importantes, como a família, amizades, o autoconhecimento, o engajamento social. Não nego aqui a correria como uma busca real por subsistência, especialmente em nosso país com tantas desigualdades sociais. Porém grande parte do mundo vive na correria, apesar de ter as suas necessidades básicas supridas.
O fato é que não vemos o tempo como um bem, vemos apenas o dinheiro como um bem. Se refletirmos, porém, veremos que o tempo está acima de todos os outros bens, uma vez que quando ele acaba, o resto não importa. E não se compra tempo. Seneca alertou aos romanos:
“Admiro-me quando vejo alguns pedindo tempo e aqueles a quem se pede serem complacentes; ambos consideram que o tempo pedido não é tempo mesmo: parece que nada é pedido e nada é dado. Joga-se com a coisa mais preciosa de todas, porém ela lhes escapa sem que percebam, já que é incorporal e algo que não está sob os olhos, por isso é considerada desprezível e nenhum valor lhe é dado. Os homens recebem pensões e aluguéis com prazer e concentram nessas coisas suas preocupações, esforços e cuidados. Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse fortuito. Porém, quando doentes, se estão próximos da morte, jogam-se aos pés dos médicos. Ou, se temem a pena capital, estão preparados para gastar todos os seus bens para viver, tamanha é a confusão de seus sentimentos”. (Seneca)
Deveríamos ver o tempo como o maior de todos os bens. Assim, escolheríamos melhor com quem, com o que e onde iríamos gastar o nosso tempo. Gastar todo o tempo em busca de dinheiro pensando que vai nos trazer segurança é burrice, pois dificilmente nos sentiremos totalmente seguros. Essencialmente a insegurança está em nós e a idéia de segurança é relativa. Eu posso me sentir seguro tendo um carro e um apartamento, o meu vizinho talvez se sinta inseguro com dez apartamentos e uma conta bancária farta. De acordo com a revista britânica GEO de março de 2009, pesquisadores britânicos observaram por anos um grupo selecionado de 7.812 alemães e constataram que no primeiro ano após um aumento significativo de renda, houve um aumento na satisfação das pessoas. No segundo ano a mesma coisa. A partir do terceiro e quarto ano nenhuma satisfação a mais foi percebida. O Vedanta já fala isso, mas as vezes precisamos de pesquisas para comprovar: a nossa felicidade não pode ser adquirida através das satisfações dos nossos desejos, porque assim que um desejo é saciado, outro surge, é sem fim. Foi justamente o que a pesquisa mostrou – guardadas as limitações de pesquisas desse porte, sugiro que constate esse fato na vida: com riqueza crescente, crescem também as exigências materiais das pessoas. É como uma bóia na maré alta.
Além disso, não temos como prever o amanhã. Mas igualmente não podemos negligenciar o futuro. Então, nos nossos cálculos diários, deveríamos colocar não apenas o dinheiro como um bem precioso, mas também o tempo. Talvez o maior presente que se possa dar a uma pessoa hoje em dia seja o tempo, mais do que qualquer outra coisa que o dinheiro possa trazer. Tempo junto, tempo de conversa, de presença. Apenas dando tempo a nós mesmos, dedicando-nos ao autoconhecimento, e também às pessoas ao nosso redor, especialmente às nossas crianças, talvez estejamos contribuindo de maneira muito mais eficaz para um futuro mais “seguro” para nós e para o planeta. Aproveite o tempo com as pessoas que estão ao seu lado, fazendo de cada momento algo precioso.
Texto escrito por Tales Nunes, http://www.vidadeyoga.com.br/
Viver com conhecimento por Sonia Novaes
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Kumbh Mela

terça-feira, 13 de abril de 2010
Frase do dia
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Retorno da Lila

Toda volta da Índia é um processo. Pela primeira vez, de todas aquelas em que fui para a Índia, estava com vontade de voltar para casa, ver a família, amigos, dar aula, colocar em prática os milhões de projetos que estão na minha cabeça, cumprir alguns compromissos nos quais eu já tinha confirmado minha presença e passar adiante o que aprendi nesses últimos meses. Sem dúvida, essa foi a viagem à Índia mais trabalhosa, tive que colocar muita coisa para fora, limpar a casinha e tentar entender toda essa transformação. Mas, mesmo que toda a reflexão tenha acontecido lá, onde realmente começa a cair a ficha é aqui.
Sempre me deparo com situações conflitantes à minha volta. Vou para lugares e converso com pessoas que não tem nada a ver comigo e com meus valores. E, tenho que voltar a colocar algumas máscaras para conviver com isso, mas ainda não estou conseguindo manter um distanciamento para que isso não me afete. E afeta muito, várias coisas passam pela minha cabeça e me lembro muito de uma frase que ouvi de um professor uma vez: “Ficar na caverna meditando é fácil. O difícil é vir para a vida, para o dia-a-dia e lidar com as picuinhas.” Pois bem... é isso aí. Por isso, voltar da Índia é um processo, para todos que voltam.
Passamos dias, meses, em um lugar onde entramos em contato com um conhecimento profundo, com valores pouco aplicados aqui no Ocidente: vida simples, sem muitas necessidades, tempo para parar e refletir. Chego aqui, numa cidade que consome tudo, seu tempo, dinheiro, valores, paciência, energia e até os planos. É nessas horas que fica claro para mim, o ensinamento foi ótimo mas agora é hora de colocá-lo em prática, ver o que realmente foi assimilado de tudo aquilo que ouvi e vi. Ter muita disciplina para não me perder nessa realidade, nessa vida rápida demais para o meu timing nesse momento e não parar, por nenhum momento de fazer aquilo em que eu acredito. Fazer minha rotina saudável, que é um grande desafio, mas aí que está a beleza da vida, conseguir desfrutar de tudo que ela tem para te oferecer, inclusive essa loucura de cidade grande, sem se perder, tendo um discernimento do que você é e do que é essa brincadeira toda (Lila), que é a vida (maya), onde tudo é possível.
| Reações: |
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Tempo
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Frase do dia
Banho turco
Aqui em Istambul, tive uma das experiências mais surreais da minha vida. O banho turco. Uma amiga minha, a Marlei, falou que era imperdível e eu, que adoro experiências culturais, não pude deixar de fazer.
Entrei na casa de banhos e escolhi o banho tradicional. Fui para a ala feminina e, chegando lá, vi um monte de mulheres com toalhas enroladas no corpo, algumas molhadas, outras secas. Fui para o vestiário deixar minhas coisas e a mulher do vestiário me entregou a chave, uma toalha e um saquinho enfeitado com corações com a calcinha dentro. Aí começou a diversão, a calcinha era a maior lona de circo que já tinha visto em toda minha vida. Desci, com o meu modelito (lona+ toalha) para o lugar do banho.
Quando abri a porta, me deparei com uma das cenas mais bizarras da minha vida: uma sauna tamanho gigante, com uma pedra de mármore quente no meio, cheia de mulheres seminuas deitadas nessa pedra sobre a toalha e umas 10 senhoras turcas, de calcinha e sutiã, lavando a mulherada. Essa cena foi um choque e já comecei a rir! Sem saber direito o que fazer, para onde ir, fiquei lá parada com a maior cara de espanto e uma senhora turca, com o peito batendo na virilha, com metade da bunda de fora, mexeu o dedo pedindo para que eu me aproximasse. Pensei, agora não tem volta. Caminhei tranquilamente, tirei minha toalha e me juntei às outras mulheres deitadas de barriga para cima, como se tivessem tomando sol. Tive que me concentrar muito para não ficar rindo o tempo todo, com tudo que estava vendo.
Comecei a relaxar, o corpo foi esquentando, pois na rua estava bem frio e chovendo. Estava quase dormindo e a mulher me deu um tapa na perna avisando que era minha vez. Peguei minhas coisas, estendi a toalha perto da turcona, deitei e ela vai e joga uma tigela de água gelada em mim... Quase caí do mármore!! Ela enrolou na mão a luva de tirar o cascão - cada uma traz a sua - e começou a tirar os 2 meses de poeira da Índia. Foi muito engraçado ver todas aquelas mulheres ficaram supervermelhas depois dessa pequena esfoliação, parecia que estavam arrancando o couro delas. No meu caso, por ser um pouco mais queimadinha, não tive esse problema.
Para virar de costas ela também me deu um tapa, ensaboou tudo fazendo uma massagem no corpo inteiro e outro tapa para sentar, lavar meus braços, pescoço e rosto. Depois sentei perto de uma bica d'água e ela lavou meu cabelo. Ainda bem que já tinha tomado banho antes, porque essa lavada de cabelo comparada com o banho foi bem nas coxas. Assim que ela terminou, segurou minha mão e me levou até uma piscina quente, para relaxar o tempo que eu quisesse. Fiquei lá mais um pouco, saí e perguntei para ela se tinha acabado. Ela me deu um tapinha na bunda e disse que sim!
Eu saí de lá dando risada, tomei um chá turco, me troquei, sequei o cabelo e fui embora com a sensação de pesar uns 3 quilos a menos.
Recomendo essa experiência para todo mundo. Aliás, para se conhecer a cultura de um lugar é preciso vivenciar os hábitos locais. Isso é fundamental para conhecermos de verdade o lugar, não só os pontos turísticos. Além disso, abre muito a nossa cabeça. Banho é muito importante aqui na Turquia, assim como na Índia, é mais um ritual. Meu professor, Dayananda, disse que o banho é uma forma de purificação, onde a gente deixa ir embora todas as sujeiras e impurezas do corpo-mente. E sem sombra de dúvida, esse banho levou embora tudo que não servia mais para mim!!
terça-feira, 6 de abril de 2010
Coisas de indiano
As minhas últimas horas na Índia foram engraçadas e bem típicas. Começou logo pela manhã quando acordei para fazer Yoga Shopping (compras com consciência... hahhahaha). Quando cheguei, todas as lojas estavam fechadas porque só abriam depois das 10:30. No caminho de volta, pelos menos uns 10 homens me pararam para oferecer ajuda, indicar onde comprar coisas, falar que pareço indiana, me convidar para jantar, me mostrar a loja deles ou simplesmente passavam esbarrando em mim. Bem típico daquilo que o indiano faz com uma mulher quando ela está sozinha.
Durante essa minha prática, muita barganha, muita encenação, intrometiam-se no que eu deveria comprar, valeram boas risadas. Depois da venda, perguntavam tudo, de onde eu era, quanto tempo estava na Índia etc. Um deles chegou a me perguntar se eu ganhava bem no Brasil! Coisas de indiano.
Depois do calor, do trânsito e da multidão, voltei para arrumar a mala. Milagre, isso é o que aprendemos quando realizamos essa prática de Yoga shopping: fazer caber tudo na mala. E o milagre é tanto que a mala fica mais leve do que pensávamos.
Um cena engraçadíssima: o camareiro bateu na porta do meu quarto para ver se eu estava precisando de toalha e eu disse que já estava de partida. Ele começou a falar que era ele que arrumava sempre o meu quarto, se tinha ficado do jeito que eu gostava, me deu um perfume, disse que era última vez que ia me ver, falou durante uns 10 minutos até que eu dei a caixinha e ele foi embora. Depois, quando eu fui descer as malas, ele veio me ajudar mas não desceu comigo. Acho que o dinheiro foi pouco!! hahhahahaha
No jantar, o garçom, superatencioso, me mostrou o buffet de comida, me explicou tudo, escolheu o meu suco, trouxe umas comidas sem eu pedir, só para eu experimentar. Ficou batendo o maior papo comigo durante o jantar, fez as perguntas básicas: de onde eu era, para onde estava indo, o que eu fazia, quanto tempo estava na Índia, se era a primeira vez, se era casada, quanto eu ganhava e se eu tinha gostado do trabalho dele. Só faltou ele puxar a cadeira e sentar comigo!
E, para finalizar, perguntei para o moço da recepção se precisava do ticket eletrônico impresso para poder entrar no aeroporto, ele disse que sim, fui até o escritório dele para imprimir, demorou um monte (é, claro) e depois perguntei novamente se precisava daquele papel para entrar no aeroporto... ele me respondeu que não!!! hahahahhahaha. Coisas de indiano!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Agir com conhecimento por Pedro Kupfer

sábado, 3 de abril de 2010
O elogio que fez o meu dia
| Reações: |
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Mais histórias para compartilhar
| Reações: |
Histórias da Índia
| Reações: |
A ordem de Isvara
Nesse mundo em que vivemos nos deparamos com vários obstáculos que nos causam problemas. Temos um corpo que é cheio de limitações. Temos nossa mente que é cheia de vontade, mas também limitada, para compreender certas coisas. E sempre queremos ao máximo evitar esses problemas e essas limitações
O Vedanta nos leva ao conhecimento de quem somos, nossa consciência. Mas, se deixarmos o Vedanta somente no nosso intelecto, sem trazer Isvara (plenitude, ilimitado, Ser) para nossa vida, sem lidar com todos os probleminhas, que são Isvara em forma de prazer e dor, gosto e desgosto, ganho e perda, não adianta de nada. Temos que aplicá-lo em todo e qualquer momento e oportunidade.
Emoções fazem parte da ordem de Isvara. Emoções são boas, pois todas elas são graças de Isvara. Para poder trabalhar com as emoções, mesmo aquelas que julgamos ruins como raiva, medo e mágoa, é preciso entender que isso faz parte de Isvara, e quanto mais se entende isso, menor é a distancia entre você e Isvara. Compreender que emoções fazem parte de nós e da ordem de Isvara, faz com que consigamos acomodá-las e contemplá-las. Devemos expressar nossas emoções e não reprimi-las ou ignorá-las. Elas fazem parte do que somos, da mesma forma que nosso corpo e mente.
Emoções são Isvara. Corpo-mente são Isvara. Mas Isvara não é emoção, nem corpo-mente.
Obs: Esse foi um trecho de uma aula do Swami Dayananda em março de 2010.
| Reações: |

