quinta-feira, 9 de junho de 2011

Como tudo começou

Essa semana resolvi fazer uma coisa que estava com vontade fazia muito tempo, dei uma rapa nas minhas coisas e tirei grande parte das coisas "velhas". De três em três meses dou uma limpa nas roupas, mas dessa vez foram das coisinhas que ia guardando ha mais de 10 anos. Fotos de coisas bobas, papeis que achava que ia usar para alguma coisa, cartoes postais, cartas, cadernos de cursos de línguas e faculdade... tantas coisas que nem lembrava mais que parecia que estava mexendo nas coisas de uma outra pessoa.
Relembrei de tantas coisas... e uma delas, que gostaria de compartilhar com vocês, foi o momento em que me interessei por "espiritualidade", ou por me conhecer. Tinha 18 anos, acabado de terminar o colégio e resolvi morar fora, na França para estudar francês e viajar. Desde que me conheço por gente gosto de viajar, mas viajar sozinha no mundo com apenas 18 anos foi muito especial. Saindo do brasil, levei um livro para o começo dessa grande viagem, o "Arte da Felicidade" do Dalai Lama. Li e amei! Como viajava bastante, tive que deixar o livro para trás, mas fiz uma coisa que acho horrível fazer, arranquei o capitulo 16 e levei comigo.
Nesse capitulo 16 é uma síntese do livro, foi o que mais mexeu comigo e tenho guardado até hoje... e foi isso que encontrei nessa arrumação das minhas coisas, o que deu o "start" na minha jornada que mudou completamente minha vida!
Leiam e se inspirem a mudar a vida de vocês também.
Capitulo 16 - Um Apelo
"Ter chegado às ultimas paginas deste livro faz lembrar a transitoriedade de nossa vida. Como passa rápido e como logo chegamos ao nosso ultimo dia. Dentro de menos de cinquenta anos, eu, Tenzin Gyatso, o monge budista, serei apenas uma lembrança. Na verdade, é pouco provavel que qualquer uma das pessoas que estejam agora lendo estas palavras possa estar viva daqui a cem anos. O tempo passa inexoravelmente. Quando cometemos erros nao podemos voltar os ponteiros do relógio para tentar outra vez. A única coisa que podemos fazer é usar bem o presente. Entao, quando nosso ultimo dia chegar, poderemos olhar para trás e ver que vivemos vidas plenas, produtivas e significativas, o que nos trará algum conforto. Do contrario, a tristeza pode ser muito grande. A escolha entre as duas alternativas cabe somente a nos.
A melhor maneira de ter certeza de que um dia nos aproximaremos da morte sem remorsos é agindo de maneira responsável e manifestando compaixão pelos outros no presente. Na verdade, isso é de nosso próprio interesse e nao apenas porque va nos beneficiar no futuro. Como vimos, a compaixão é uma das coisas que mais dao sentido às nossas vidas. É a fonte de toda felicidade e alegria duradouras. É o alicerce de um bom coração, o coração daquele que age motivado pela vontade de ajudar os outros. Por meio da bondade, da afeição, da honestidade, por meio da verdade e da justiça para com todos os outros é que asseguramos nossos próprios benefícios. Esta nao é uma questão para ser debatida com teorizações complicadas. É uma questão simples, de bom senso. Nao ha como negar que a consideraçao pelos outros é algo valioso. Nao ha como negar que a nossa felicidade esta inextricavelmente entrelaçada à felicidade dos outros. Nao ha como negar que, se a sociedade sofre, nos tambem sofremos. Nem ha como negar que quanto mais animosidade ha em nossos corações, mais infelizes nos tornamos. Por isso, podemos rejeitar tudo o mais: religião, ideologia, toda a sabedoria recebida. Mas nao podemos escapar à necessidade de amor e compaixão.
Esta, entao, é a minha religião verdadeira, minha fé simples. Neste sentido, nao é preciso existir templo ou igreja, mesquita ou sinagoga, nao ha necessidade de filosofia, doutrina ou dogmas complicados. Nosso próprio coração e nossa própria mente sao o templo. A doutrina é a compaixão. Amor pelos outros e respeito por seus direitos e sua dignidade, sejam eles quem forem ou o que forem: é so o que afinal precisamos ter. Se praticarmos isso em nossas vidas diárias, nao importa se somos intruidos ou ignorantes, se acreditamos em Buda ou em Deus, se seguimos outra religião ou nao seguimos nenhuma. Desde que tenhamos compaixão pelos outros e sejamos capazes de nos conter, motivados pela noção de responsabilidade, nao ha duvida de que seremos felizes.
Por que, entao, se é tao simples ser feliz, achamos que é tao difícil? Lamentavelmente, apesar de quase todos nos nos considerarmos compassivos, costumamos ignorar essas verdades baseadas no puro bom senso. Deixamos de enfrentar nossos pensamentos e emoções negativos. Ao contrario do fazendeiro que acompanha as estações do ano e nao hesita em começar a cultivar a terra quando chega a hora, desperdiçamos tempo demais em atividades sem sentido. Sentimos profundo pesar com relação a assuntos banais como perder dinheiro e , ao mesmo tempo, somos negligentes com o que é de fato importante sem que o menor sentimento de remorso nos perturbe. Em vez de nos alegrarmos com as oportunidades que temos de contribuir para o bem-estar alheio, so pensamos em prazeres fáceis. Recusamo-nos a pensar nos outros alegando que estamos muito ocupados. Corremos para la e para ca fazendo calculos e dando telefonemas e achando que é melhor assim. Fazemos uma coisa já preocupados com ter de fazer outra diferente caso algo nao saia como esperamos. E em tudo isso utilizamos apenas os níveis mais superficiais, elementares e menos refinados do espirito humano. Alem do mais, por estarmos desatentos às necessidades dos outros, acabamos inevitavelmente lhes causando mal. Achamos que somos muito inteligentes, mas como é que usamos nossos talentos? Com demasiada frequência nos os usamos para enganar nosso próximo, aproveitar-nos dele e subir à sua custa. E quando as coisas nao dao certo, cheios de hipocrisia, nos o culpamos por nossos problemas.
No entanto, a aquisição de objetos materiais nao proporciona satisfação duradoura. Nao importa quantos amigos conquistemos, nao serão eles que de fato vao fazer a nossa felicidade. E entregar-se aos prazeres dos sentidos é apenas um convite a varias formas de sofrimento. É como mel lambuzado na lamina de uma espada. Nem por isso devemos desprezar nosso corpo. Pelo contrario, pois nao podemos fazer nada sem que ele esteja bem. Mas precisamos evitar os extremos que podem nos prejudicar.
Quando nos concentramos no que é mundano, o essencial permanece escondido em nos. É claro que se pudéssemos ser verdadeiramente felizes dessa maneira, este tipo de vida seria inteiramente razoável. Mas nao podemos. Na melhor das hipóteses, a vida vai transcorrendo sem grandes aborrecimentos. Mas os problemas chegam, mais cedo ou mais tarde, e nos encontram despreparados. Nao sabemos como lidar com eles. E nos desesperamos, e nos lamentamos.
Portando, uno minhas maos e apelo a você, leitor, para que torne o resto de sua vida tao significativo quanto possível. Faça isso através da pratica espiritual, se puder. Como espero ter deixado claro, nao ha nada de misterioso nisso. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. E se você o fizer com sinceridade e persistência, pouco a pouco, passo a passo, sera capaz de reordenar seus hábitos e atitudes e pensar menos em seu pequeno mundo de interesses e mais nos interesses de todas as outras pessoas. E encontrara paz e felicidade para si mesmo.
Abandone a inveja, desapegue-se do desejo de sobrepujar os outros. Em vez disso, tente fazer bem a eles. Com bondade e gentileza, com coragem e confiando que é assim que tera sucesso de fato, receba-os com um sorriso. Seja franco e honesto. E tente ser imparcial. Trate todos como se fossem amigos muito próximos. Nao digo isso como Dalai Lama ou como alguém que tenha poderes ou talentos especiais. Nao os tenho. Falo como um ser humano, alguém que, como você, quer ser feliz e nao sofrer.
Mas se você por algum motivo nao puder ajudar as outras pessoas, procure ao menos nao lhes fazer nenhum mal. Considere-se um turista. Penso no como como é visto do espaço, tao pequeno e insignificante, e ainda assim tao belo. Haveria realmente alguma coisa a ganhar fazendo mal a alguém durante a nossa estada aqui? Nao seria preferível e mais razoavel divertir-se e aproveitar a ocasião tranquilamente como se estivesse visitando um lugar diferente? Portanto, se em seu passeio pelo mundo você dispuser de um momento, tente ajudar, mesmo que de forma modesta, aqueles que sao oprimidos ou que por alguma razão nao podem ou nao querem ajudar a si mesmo. Tente nao dar as costas àqueles cuja aparência é perturbadora, aos maltrapilhos e enfermos. Procure nunca pensar neles como se fossem inferiores. Se puder, nao se considere melhor do que nem mesmo o mendigo mais humilde. Vocês dois terao a mesma aparência depois da morte.
Para encerrar, gostaria de compartilhar com você uma breve oração que serve de grande inspiração para meu propósito de fazer bem aos outros.
Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protetor para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que tem oceanos a cruzar,
uma ponte para os que tem rios a atravessar,
um santuários para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que nao tem luz,
e um servidor para todos os necessitados."

4 comentários:

  1. Lindo Rê!Um exercício diário.. sair do nosso "mundinho"e pensar menos no "eu"... eita velhinho inspirador esse Dalai não? muitos beijos

    ResponderExcluir
  2. Gostei muito. Não li o livro, mas acho que vou colocar na minha lista de leitura. Muito bom o capítulo que você transcreveu..
    Palavras tão simples, mas que mudam nossos olhos.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. É realmente muito especial esse livro p mim... ele q me despertou para uma real com significado!!
    Velhinho mto inspirador... espero mesmo que ele venha esse ano p ca!
    bjoommm

    ResponderExcluir
  4. Maravilhoso! E é lindo ver como você está sendo coerente com sua inspiração inicial. Orgulho de ser sua amiga!!!

    ResponderExcluir